Eram duas horas da tarde de ontem e a sétima rua da Vila São
Miguel, no bairro de Afogados, no Recife, parecia um cenário de
guerra, contrastando com bonitos viveiros de peixe e camarão
localizados ao lado da comunidade. O motivo? Um incêndio, de causa
ainda desconhecida, atingiu cerca de 60 barracos e mais de 150
famílias que moravam no local. Em meio às brasas, cinzas, objetos e
animais queimados. Por sorte, não houve vítimas e ninguém ficou
ferido, de acordo com informações repassadas pelo Corpo de
Bombeiros (CB).
“Era meio dia quando o fogo começou. Os bombeiros demoraram
cerca de duas horas para controlar o fogo. E tudo aqui colabora
para um incêndio acontecer. É muito fio, muita gambiarra e as casas
são todas feitas de taipa e madeira. Pode ter sido um curto
circuito. As pessoas que moravam aqui perderam tudo”, contou
Edvaldo Pereira dos Anjos, que reside próximo ao local destruído.
Com cerca de 50 mil litros de água (em dois caminhões auto bomba e
um bitrem), o Corpo de Bombeiros apagou o fogo que se alastrava e
controlou os focos de incêndio que ainda restavam.
“Fomos acionados por volta de meio dia. Após o fogo ser
extinto, o trabalho continuou para evacuar a área e evitar que
houvesse vítimas ou focos de incêndio, já que até agora (cerca de
meia hora após controlar o fogo) ainda não descobrimos alguma
vítima e nem a população está sentindo falta de ninguém. No momento
não temos como precisar o motivo. Há várias possibilidades, entre
elas o curto circuito, porque tinha muita fiação clandestina. Mas
também o vazamento de gás. A causa do incêndio quem vai periciar é
o Instituto de Criminalística (IC)”, explicou o tenente do
CB, Klebson Azevedo.
Mesmo sob o risco de ter novos focos de incêndio, e do Corpo de
Bombeiros e Polícia Militar tentarem evacuar a área, os moradores
dos barracos, desesperados, - inclusive muitas crianças - entravam
nos escombros para tentar recuperar algum pertence que tenha
resistido às chamas. Uma moradora conseguiu recuperar seu DVD, mas
a maior parte das pessoas voltava desolada, de mãos vazias.
“Estamos aqui só com a roupa do corpo, sem comida, porque não
deu tempo nem de almoçar. O que nós vamos fazer? Crianças, idosos,
mulheres grávidas, sem ter comida. Daqui a pouco são 18 horas.
Nosso teto será o céu e nosso colchão serão as cinzas”,
emociona-se um dos moradores, que se identificou como Jaciel.
Segundo o tenente Klebson Azevedo, após o controle do fogo e de
possíveis focos de incêndio, não havia mais perigo de que as chamas
viessem a se alastrar. “Por estarem situados num local
aberto, próximo a viveiros, tinha muito vento, que ajudou, e muito,
a espalhar o fogo. Mas agora está tudo sob controle”, disse,
aliviado, o tenente. A reportagem tentou contatar o IC, para saber
quando os peritos saberão a causa do incidente, mas não houve
retorno por parte do órgão.
OBS:Vamos orar por eles.